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Não fiz um post da grande vitória sobre a Alemanha por ficar na expectativa da final. Faço, agora, uma avaliação da final olímpica, que nos deu novamente a prata. Também irei fazer um avaliação de todo o processo histórico de afirmação do futebol feminino.
Não farei, contudo, qualquer caça às bruxas. A prata, para nossa realidade estrutural, ainda é maravilhosa. Os problemas apresentados pela seleção na final foram os problemas de todo o torneio. A seleção americana, enfraquecida individualmente, sempre irá apresentar um padrão tático rígido, e como disse a brilhante Helena Pacheco na transmissão da Rede Globo, tem a capacidade de se adaptar rapidamente ao estilo do adversário.
Apostamos sempre nos talentos individuais. Faltou aquilo que só podemos ter com trabalho qualificado e que necessita de maior tempo. Aquilo que no voleibol, por exemplo, sobra. Estudo do adversário, apego aos detalhes, conhecimento tático para além de esquemas arcaicos.
Claro, da forma como aconteceu, foi um duro golpe. O Brasil tem mais talento que os EUA. O Brasil, nos próximos anos, vai continuar a revelar muito mais talentos que os EUA. Vamos ver se evoluímos do ponto de vista organizacional, com mais gente qualificada trabalhando as meninas. Com mais sensibilidade para saber lidar com elas e tirar o melhor.
Evoluímos, sim, em resultados internacionais. Duas pratas olímpicas e um vice mundial. Os dois fantasmas foram espantados com duas goleadas. EUA e Alemanha não possuem mais a aura imbátível para nós.
Interessante que quatro jogadoras que estiveram em campo vão disputar o Mundial Sub-20: Bárbara, Fran, Érika e Fabiana. Aliás, como entrou bem Fabiana. Muita personalidade. Teremos esse Mundial Sub-20, no Chile, e o Sub-17, a Nova Zelândia, no final do segundo semestre, onde apresentaremos duas boas seleções.
A vida continua. O futebol feminino brasileiro ainda nos leverá a muitas emoções. Esperamos que com choro de felicidade.