sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Balanço

Gaspar fez grande trabalho, mas o talento é fundamental
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A seleção brasileira se despediu de forma digna do Mundial Sub-17. Fez uma boa partida diante das nigerianas, mais pela vontade e desejo de evoluir no torneio. O Brasil sofreu na competição por alguns motivos, mas destacaria dois como fundamentais: falta de talento e dificuldade para se organizar durante as partidas. Um, na verdade, está relacionado ao outro.


Com as perdas de Fabi e Bia, duas jogadoras referenciais, foi lançado mão de Juliana Cardozo, do Saad, e Juliana Ferreira, do Team Chicago. Nada, absolutamente, contra as garotas. Porém, a diferença para as titulares é gigantesca. Como atuam no coração da equipe, que é o meio campo, comprometeram sobremaneira o desempenho do time e expuseram a defesa, uma vez que a difuculdade na saída de bola foi a tônica.


Ou seja, suas atuações individuais prejudicaram a organização da equipe, acostumada com mais talento do meio para a frente, com gente que segurava a bola e criava dificuldade aos adversários, permitindo, inclusive, o adiantamente das linhas de defesa. Sem os talentos de Bia e Fabi, tudo ficou mais difícil e as escolhas de reposição não foram boas.


Marcos Gaspar fez grande trabalho e os frutos dele estarão nos próximos anos na seleção principal. Entretanto, talento e técnica sempre serão a prioridade no futebol. O resto a ciência dá conta.

domingo, 2 de novembro de 2008

Voltando...

Patinha contra a Coréia - volta importante para o Brasil


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Depois de mais de dois meses sem postar, em virtude de uma série de situações e mudanças na vida, creio que o momento é importante demais para não expressar minha opinião. Está rolando o Mundial Sub-17, super divulgado nesse blog, com uma série de posts, desde antes do Sul-Americano de Janeiro. Esclareço aos leitores que também comecei a realizar a atividade de olheiro e tive o prazer de indicar duas atletas catarinenses para essa seleção. A goleira Daniele (camisa 21), do Guarani, de Palhoça, e a zagueira Carine (camisa 13), do Kindermann, de Caçador.


O Mundial começou e tivemos duas derrotas. Creio que o trabalho de Marcos Gaspar é muito bom, sobretudo porque pegou uma seleção do zero e foi montando o grupo - numa verdadeira (e dura) peregrinação pelo Brasil, com pouco tempo de treinamento. Tive o prazer de poder ajudá-lo, um pouquinho que seja. Esse trabalho deixará uma série de boas jogadoras para os próximos anos. Beatriz, Rafaelle e Thaís só não vingarão se acontecer algo muito inesperado. Aline cresceu demais como goleira. Ao vingarem, méritos totais para Gaspar, que tem "só" a Marta no currículo de revelações. Ou seja, gabarito de sobra para ocupar o posto de selecionador sub-17.


A minha única crítica é conceitual e ele sabe disso. Talento é fundamental e sempre será. Futebol não é força e velocidade. Tudo que o treinamento desportivo tem de responsabilidade na evolução do futebol, pode ser aprimorado e trabalhado. Porém, há fundamentos que a jogadora já precisa dominar para ser convocada para uma seleção. Não acredito que algumas atletas não tenham rendido apenas pelo nervosismo ou ansiedade. Há uma perigosa inversão de valores, principalmente ao negligenciarmos a técnica, para valorizar qualidades físicas. Mesmo as seleções menos talentosas desse Mundial são organizadas e acertam a maioria dos passes.


Perdemos a Bia, pilar técnico do time. Tivemos uma certa falta de sorte. A preparação não foi a ideal, em virtude do pouco tempo e da falta de jogos internacionais duros. Marcos tem muito crédito. Porém, não vou me furtar de colocar o que penso publicamente. Tecnicamente e taticamente fomos muito abaixo dos adversários até agora. Esperamos que contra Nigéria haja uma evolução. Capacidade temos, dentro e fora de campo.




quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Pequim 2008: EUA 1 X 0 Brasil

Marta lamentou: vida que segue
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Não fiz um post da grande vitória sobre a Alemanha por ficar na expectativa da final. Faço, agora, uma avaliação da final olímpica, que nos deu novamente a prata. Também irei fazer um avaliação de todo o processo histórico de afirmação do futebol feminino.


Não farei, contudo, qualquer caça às bruxas. A prata, para nossa realidade estrutural, ainda é maravilhosa. Os problemas apresentados pela seleção na final foram os problemas de todo o torneio. A seleção americana, enfraquecida individualmente, sempre irá apresentar um padrão tático rígido, e como disse a brilhante Helena Pacheco na transmissão da Rede Globo, tem a capacidade de se adaptar rapidamente ao estilo do adversário.


Apostamos sempre nos talentos individuais. Faltou aquilo que só podemos ter com trabalho qualificado e que necessita de maior tempo. Aquilo que no voleibol, por exemplo, sobra. Estudo do adversário, apego aos detalhes, conhecimento tático para além de esquemas arcaicos.


Claro, da forma como aconteceu, foi um duro golpe. O Brasil tem mais talento que os EUA. O Brasil, nos próximos anos, vai continuar a revelar muito mais talentos que os EUA. Vamos ver se evoluímos do ponto de vista organizacional, com mais gente qualificada trabalhando as meninas. Com mais sensibilidade para saber lidar com elas e tirar o melhor.


Evoluímos, sim, em resultados internacionais. Duas pratas olímpicas e um vice mundial. Os dois fantasmas foram espantados com duas goleadas. EUA e Alemanha não possuem mais a aura imbátível para nós.


Interessante que quatro jogadoras que estiveram em campo vão disputar o Mundial Sub-20: Bárbara, Fran, Érika e Fabiana. Aliás, como entrou bem Fabiana. Muita personalidade. Teremos esse Mundial Sub-20, no Chile, e o Sub-17, a Nova Zelândia, no final do segundo semestre, onde apresentaremos duas boas seleções.


A vida continua. O futebol feminino brasileiro ainda nos leverá a muitas emoções. Esperamos que com choro de felicidade.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Pequim 2008: Brasil 2 X 1 Noruega

Festa contra a Noruega: Alemanha será dureza
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Houve mais uma leve evolução da seleção brasileira. Nada muito significativo. Barcellos surpreendeu ao deixar Rosana no banco e colocar Ester no meio, com Maycon voltando para a esquerda, onde jogou o Mundial da China. Daniela Alves, embora não venha bem no torneio, acertou um pombo sem asa do meio da rua e abriu o placar no final do primeiro tempo. Marta, aproveitando falha da zaga, ampliou. Bárbara, agora titular, fez a penalidade que gerou o gol de honra norueguês.


O adversário da semifinal será a Alemanha, que venceu a Suécia por 2 a 0 na prorrogação. Sem prognóstico ou favorito. Fisicamente, porém, o Brasil tem terminado mais inteiro que as alemãs e não jogou os 30 minutos adicionais.


Estados Unidos X Japão será a outra semifinal.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Pequim 2008: Brasil 3 X 1 Nigéria

G
Gols de Cris mereceram festa
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O mesmo enredo dos dois primeiros jogos. O Brasil depende de lampejos de suas craques. Marta não foi bem, mas o dia foi de Cristiane, que fez os três gols e assumiu a artilharia do torneio olímpico.
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A vitória garantiu o primeiro lugar do grupo. A Alemanha venceu a Coréia do Norte por 1 a 0. Agora, nas quartas-de-final, vem os EUA. O favoritismo é brasileiro.

sábado, 9 de agosto de 2008

Pequim 2008: Brasil 2 X 1 Coréia do Norte

Vibração de Marta: terá que se desdobrar
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Uma vitória que vale pelos três pontos. Foi mais na experiência internacional, na rodagem, do que no bom futebol. Taticamente, contiuamos nulos. Os gols foram em espamos. Um erro clamoroso da goleira norte-coreana e uma boa jogada de combinação Marta-Cris. Sem padrão, terá que ser na vontade e no talento individual. No Mundial, a equipe apresentou muito mais. Qualquer marcação mais organizada põe o Brasil em dificuldade. E a marcação pressão organizada é padrão internacional.
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Cristiane no banco de reservas: "A bola não chega!". Acho que resume bem.


O alento é que ninguém tem jogado muita coisa em Pequim. O Brasil, com todos os "poréns", leva vantagem individualmente.


Outros resultados:


Suécia 1 X 0 Argentina

Alemanha 1 X 0 Nigéria (grupo do Brasil)

Estados Unidos 1 X 0 Japão

Canadá 1 X 1 China

Noruega 1 X 0 Nova Zelândia

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Pequim 2008: Brasil 0 X 0 Alemanha

Pretinha entrou no finalzinho


O jogo foi equilibrado como se esperava. Brasil e Alemanha, verdadeiramente, duelaram nesta madrugada/manhã de quarta-feira na abertura da Olimpíada. Taticamente, a Alemanha é mais organizada, tem mais padrão. O Brasil viveu, como sempre, da vontade e do talento individual das jogadoras. Na maioria do tempo, o time nacional foi dominado.


Em muitos momentos, aliás, o único recurso brasileiro foi o chutão das zagueiras. No segundo tempo, quando as alemãs cansaram, Marta conseguiu mais espaços e quase decidiu a partida. O resultado foi excelente, pois deixa a confiança em alta. Afinal, em tese, seria o confronto mais duro até a disputa por medalha.


E a zebra pintou! Embora a Noruega tenha uma boa seleção, os EUA tomaram uma chinelada inesperada (0X2). Será que a ausência de Wambach foi tão sentida assim? É uma possibilidade.


Outros resultados:


Japão 2 X 2 Nova Zelândia

Canadá 2 X 1 Argentina

China 2 X 1 Suécia

Coréia do Norte 1 X 0 Nigéria (grupo do Brasil)

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Acredito no Ouro

Cristiane será fundamental mais uma vez
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Eu acredito no ouro olímpico para a seleção feminina de futebol. Até aí nada muito diferente do que pensa o torcedor médio no Brasil. Apresento, porém, alguns dos motivos que me levaram a bancar a dourada:



- O potencial ofensivo com Cristiane e Marta não tem concorrência (nem de perto) na Olimpíada. A melhor e a terceira melhor do mundo compõem a dupla de ataque. A qualidade e a contundência formam importante diferença em relação aos adversários.


- Acabou com o fantasma americano, ao golear inapelavelmente (4X0) no Mundial da China, em 2007. Além disso, os EUA perderam suas duas referências ofensivas: Wambach (fratura) e Lilly (gravidez).


- A Alemanha, uma seleção contra quem o Brasil ainda enfrenta dificuldades, será a adversária de estréia, o que pode fazer, justamente, com que o estigma se quebre. Individualmente, o Brasil é melhor. As principais jogadoras alemãs não estão no auge.


- Jorge Barcellos, ainda que simplório e sem domínio do grupo, não terá problema de coesão ou união. As meninas têm fome, um grande objetivo comum e talento para resolver as partidas sem grande trabalho tático. Não atrapalhar já será o suficiente.


Os dois grandes adversários serão, mesmo, Alemanha e EUA. As outras equipes, salvo surpresa, não devem incomodar.



Apesar de todas as críticas recentes feitas, vejo o torneio olímpico com otimismo.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Sub-17 se apresenta segunda-feira

Segurem a 10! (que eu quero ver)
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A Seleção Brasileira Sub-17 de futebol feminino se apresenta nesta segunda no Rio de Janeiro para a primeira fase de preparação visando o Mundial da Nova Zelândia, em outubro. Na convocação de Marcos Gaspar - 28 jogadoras - algumas novidades. A começar pelas goleiras Anelise, do Avaí/Canto do Rio (SC) e Daniele, do Guarani/Scorpions (SC). A meia paranaense Rafaela e a lateral/volante Silvana, do Piauí, também constam na lista.


Claro, o grande destaque sempre ficará por conta da meia canhota Beatriz Zanerato. Todos são muito prudentes em apontar alguém como craque aos 14/15 anos. O risco existe sim, mas prefiro corrê-lo. Ela é craque de bola e pode fazer um grande mundial.


quinta-feira, 17 de julho de 2008

Vão jogar 70 vezes e....

Mesmice: Quando não é a Kai (foto), é a Rodriguez
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É cansativo, mas é a realidade. O Brasil, quando sem Marta e Cristiane, é de uma mesmice e uma falta de imaginação irritantes. Ontem fez mais um amistoso contra os EUA. Foi o terceiro jogo contra as americanas em menos de um mês. Mais uma derrota por 1 a 0 (Natasha Kai).


Por que não mudar a equipe taticamente, para além dos defasados 3-5-2 e 4-4-2? Isso não existe em lugar nenhum do mundo. Quem fala em 3-5-2? Só no Brasil, com nossos gênios da tática. O 4-4-2 existe, de fato, à inglesa, com dois meias centrais e dois meias abertos (wingers). Isso é 4-4-2. Aqui no Brasil qualquer coisa é 4-4-2 - e não é!


Por que não usar três atacantes contra a engessada linha de quatro americana? Que tal abrir duas jogadoras rápidas como Pretinha e Fabiana e centralizar uma outra avante. Criar desconforto. Criar um fato novo! Os amistosos servem para testar algumas variações táticas. Mudar de 3-5-2 para 4-4-2 e depois para 3-6-1 é vergonhoso. Haja espaço para mediocridade. Estamos, taticamente falando, na Idade Média futebolística. Essa é a realidade. Pobres jogadoras. Vão jogar 70 vezes contra as americanas e vão perder as 70 por 1 a 0.


Repito: com Marta e Cristiane, até minha mãe, que não gosta de futebol, teria êxito como treinadora da seleção principal.
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PS: Lamento muito a infelicidade de Abby Wambach, artilheira americana, que fraturou a tíbia e a fíbula da perna esquerda nesta partida. Será desfalque em Pequim e deixará o torneio menos brilhante.










terça-feira, 1 de julho de 2008

As camisas 10 do Mundial Sub-17 (Alemanha)

Jennifer Marozsan destacou-se no Europeu Sub-17


Começo hoje um especial sobre as camisas 10 que estarão no Mundial Sub-17. A melhor delas é a brasileira Beatriz Zanerato, de quem já falei no blog cerca de 700 vezes. Mas ela terá um post a parte, com entrevista.

A primeira escolhida talvez seja uma das principais concorrentes de Beatriz e também candidata a sensação do torneio. Dzsenifer Marozsán ou Jennifer Marozsan (pela idioma alemão) foi o destaque do quadrangular final do Europeu, quando a Alemanha foi campeã, no último mês de maio. Fez dois gols e infernizou as zagas adversárias.


Seus números são impressionantes. Desde 2004, fez nove jogos e tem 11 gols com a camisa sub-17. Na Sub-15, em 2007, fez quatro gols em cinco partidas. Nascida em Budapeste, capital da Hungria, Marozsán é mais uma atleta imigrante que veste as cores da Alemanha. Ela defende também o FC Saarbrücken, na Bundesliga.


Jennifer Marozsan, 18/04/1992.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Andréia, Pretinha e Jatobá voltaram

Pretinha voltou: quase 15 anos de seleção

Semana passada o blog manifestou seu descontentamento com a forma como a seleção foi convocada sem Marta e Cristiane e , sobretudo, a forma de jogar: acanhada e quadrada. Faltou mais qualidade do meio pra frente. Agora, Jorge Barcellos convoca Pretinha para dar mais experiência a um ataque com dificuldade de fazer gols.


Outra jogadora fundamental que retornou foi Simone Jatobá. Na melhor fase da carreira, jamais poderia ficar de fora. Ela é fundamental em Pequim. A experiente goleira Andréia foi mais uma resgatada.



A convocação visa três importantes amistosos na América do Norte. Dia 10, em Toronto, o Brasil enfrenta o Canadá. Dias 13 e 16 pega os EUA em Denver e San Diego, respectivamente.



Veja as 20 jogadoras convocadas:

Goleiras

Andréia Suntaque - Prainsa (Espanha)
Bárbara - Sport Recife

Zagueiras

Andréia Rosa - Ferroviária Araraquara
Juliana Cabral - Corinthians
Renata Costa - Odense (Dinamarca)
Tânia Maranhão - Saad
Erika - Santos

Laterais

Simone Jatobá - Lyon (França)
Danielle - Cepe Caxias
Danielli - Santos
Rosana - SV Neulengbach (Áustria)

Meio-campo

Maycon - Saad
Formiga - Botucatu
Francielle - Santos
Ester - Santos
Daiane - Franca



Atacantes

Pretinha - Inac (Japão)
Fabiana - Corinthians
Maurine - Santos
Raquel - Cepe Caxias

sábado, 28 de junho de 2008

Avaí e Guarani/Scorpions jogam pelo Catarinense

Beatriz Conceição é destaque também na areia

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Neste domingo, o Avaí/Canto do Rio viaja até Palhoça para enfrentar o Guarani/ Scorpions, no Estádio Renato Silveira, às 15 horas. Líder da sua chave, o Avaí vem de derrota diante do Müller, de Pomerode, e busca reabilitação. O Guarani, embora não tenha nenhum ponto na competição, possui uma equipe com muitas jovens sub-17 de grande potencial. Daniele, goleira de 15 anos, causa sensação.



Pelo lado avaiano, a volante/meia Beatriz Conceição é o grande nome entre as mais novas. A lateral-direita Thatiane, com passagem pela seleção sub-17, cumpre suspensão pelo terceiro cartão amarelo.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Nigéria está no Mundial Sub-17

Vibração das nigerianas: vaga garantida
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A seletiva africana Sub-17 está em curso por meio de um triangular final composto por Nigéria, Camarões e Gana, em turno e returno. Pois as nigerianas venceram por 3 a 0 Camarões, em casa, e estão matematicamente classificadas para a Nova Zelândia, em outubro. A última vaga será decidida nas próximas duas partidas (Gana X Nigéria, Camarões X Gana), com mais chances para as camaronesas desbancarem a tradicional equipe de Gana.
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Resta saber se a Nigéria, de fato, estará no grupo do Brasil, onde já se encontram Inglaterra e Coréia do Sul. A FIFA, até agora, nada disse sobre isso.


Classificação de momento:


Nigéria tem 7 pontos em 3 jogos.

Camarões tem 4 pontos em 3 jogos.

Gana tem 0 pontos em 2 jogos.

terça-feira, 24 de junho de 2008

O Brasil sem Marta e Cristiane

Elisa em treino no CEPE: promessa de criatividade
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Com qualquer técnico, uma seleção brasileira com Marta e Cristiane na frente terá sucesso. As duas são letais, seja em contra-ataque ou em jogo trabalhado. Dão muitas opções táticas e, mesmo num time desorganizado, podem fazer a diferença. Até aí, nenhuma novidade.


Quando não estão, além de sentir a falta das definidoras - pois ambas são contundentes - o Brasil sente a falta de criatividade como um todo. Jorge Barcellos não vem convocando meias, exceto Maurine, que não inspira a menor confiança. Nada pessoal contra a jogadora do Santos, mas ela está longe de carregar um time de futebol ofensivamente.


Uma opção (que por problemas de lesão de companheiras) não pôde ser mais testada, é Rosana como meia. Jogando assim no Neulengbach, da Áustria, está muito acostumada e tem talento para desempenhar esse papel. Daniela Alves, a meia titular no 3-4-1-2 de Barcellos, tem características muito peculiares. Sozinha, não dá conta. Com Marta e Cris, ela cresce. Com Formiga vindo de trás mais ainda.


Qual a alternativa então? Renovar. Ele tem que buscar meias, mesmo muito jovens, que possam ganhar rodagem e crescer a produção ofensiva brasileira. Da Sub-20, talvez a Adriane pudesse ser aproveitada, já que Barcellos convoca muitas jogadoras dessa categoria (Érika, Bárbara, Fran...).

Não é uma questão fácil de ser resolvida. A boa notícia é que a Seleção Sub-17 possui grandes jogadoras criativas. Grandes em tamanho e futebol. As canhotas Beatriz e Elisa Brito, nossas habituais do blog, são opções maravilhosas para daqui a alguns anos. Vamos acompanhá-las atentamente.
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Na Peace Cup, a seleção produziu um futebol quadrado e sem brilho. É preciso preparar a equipe sem as estrelas. Aí é que vamos ver o trabalho de um técnico. Numa lesão ou falta de sorte, podemos ser pegos desprevenidos.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Aline Pellegrino está fora de Pequim

Aline Pellegrino em ação contra a itália na Peace Cup
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Algo que passou batido pelo blog logo após a derrota para a Austrália, na Peace Cup: Aline Pellegrino, zagueira do Santos, está fora de Pequim. Logo aos 50 segundos de partida, a capitã da seleção principal rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho direito. É uma lesão que acarretará intervenção cirúrgica.


Com esse desfalque, resta saber quem irá substituir Aline pelo lado direito da zaga. Mônica aparece como primeira candidata, mas Juliana Cabral e até Érika podem aparecer como alternativas. As duas últimas funcionariam melhor como líbero. E a líbero absoluta é Renata Costa.
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A lateral/ala/volante Elaine, do Umea, já havia se lesionado gravemente meses atrás, e, assim como como Aline, não irá aos Jogos Olímpicos.

Mundial Sub-20: EUA, Canadá e México (quase) classificados

Na 1ª fase, o México fez 3 a 0 em Trinidad e Tobago
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As semifinais da seletiva da CONCACAF para o Mundial Sub-20 (realizada em Puebla/MEX) foram definidas: EUA X Costa Rica e México X Canadá. Quem vencer está no Mundial. Os perdedores fazem um último jogo que vale vaga. A Costa Rica mostrou na primeira fase que tem poucas chances de classificação.


A seletiva da CONCACAF Sub-20 é o único torneio que as americanas não dominam. Das outras três edições (2002, 2004, 2006), as duas primeiras foram vencidas pelo Canadá. Em 2006, deu Estados Unidos.


As últimas três vagas para o Chile, portanto, parecem estar definidas. O Brasil, sob o comando de Kleiton Lima, terá uma boa equipe.

domingo, 22 de junho de 2008

EUA vencem a Peace Queen Cup

Rotina: canadenses lamentam e a tatuada Natasha Kai comemora
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Diante de um aguerrido Canadá - que jogou como nunca e perdeu como sempre - os Estados Unidos fizeram 1 a 0 nos acréscimos e "paparam" mais um troféu para a coleção. Angela Hucles, que foi eleita a melhor jogadora do torneio, fez o gol da vitória aos 47' do segundo tempo.


Muita gente que tenho contato e/ou conheço no meio do futebol feminino, coloca a sorte como um fator relevante para as conquistas americanas. Discordo frontalmente. Elas são organizadas, com padrão, jogadas ensaiadas, bolas alçadas com funções determinadas. Nada é por acaso. Não adianta, também, "espelhar" os EUA. Nesse estilo, são as melhores do mundo.


Contra o WNT (Women's National Team) é necessário ousar. Tirar da zona de conforto. Colocar jogadoras entre as linhas adversárias. O Brasil não fez nada disso e, claro, foi derrotado. Com Marta e Cris na frente a história muda. Porém, com Marta e Cris na frente até minha mãe como treinadora terá sucesso na seleção.

sábado, 21 de junho de 2008

Beatriz faz três e Ferroviária vence no Paulista

Beatriz, aos 14 anos, é a melhor jogadora Sub-17 da América do Sul
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Jogando na tradicional Fonte Luminosa, em Araraquara, a Ferroviária enfiou 8 a 0 no Lorena, pelo Campeonato Paulista. E o destaque do jogo foi um dos maiores talentos jovens do futebol feminino brasileiro: a meia canhota (e cerebral) Beatriz Zanerato, que fez três gols. A garota começa a ganhar espaço no time do técnico Paulinho, após algumas lesões. A atacante Alana, que tem passagens pela Seleção Sub-20, também anotou três vezes. Priscila e Isabela completaram o placar.


Falando em seleções de base, a meia Thaís Duarte foi titular e "camisa 10" do Juventus na derrota, em casa, diante do São Bernardo, por 4 a 0. A partida foi transmitida pela Rede Vida, nesta manhã.


Beatriz e Thaís formam a dupla de meias titular da Seleção Sub-17 e ambas nasceram em 93.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

RD Congo e Nigéria estão no Mundial Sub-20

As congolesas enfrentaram as americanas em 2006
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As eliminatórias africanas terminaram e duas seleções garantiram vaga para o Mundial Sub-20 do Chile. A gigante Nigéria, a melhor do continente no futebol feminino, confirmou o favorotismo. Bateu Gana no placar agregado (dois jogos) por 5X3. A República Democrática do Congo eliminou a África do Sul, após perder por 3X1 fora de casa e vencer por 2X0 em seus domínios. O gol qualificado definiu o dono da vaga.


O gigante da região central africana, com mais de 55 milhões de habitantes e que foi Zaire no passado, levará a base que disputou o Mundial Sub-20 de 2006.


Resta definir apenas os representantes da CONCACAF (3), onde as eliminatórias já estão em curso.
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Equipes garantidas:
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Sede: Chile
América do Sul: Brasil e Argentina
Ásia: Japão, China e Coréia do Norte
Europa: Alemanha, Inglaterra, Noruega e França
África: Nigéria e RD Congo
Oceania: Nova Zelândia

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Cristiane marca e Linköpings FC vence mais uma

Josefine Öqvist segue marcando: Linköpings é líder
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O Suecão 2008 (ou a Damallsvenskan) segue a todo vapor na Escandinávia. E o Linköpings segue invicto e absoluto com a última vitória, agora sobre o Kopparbergs/Göteborg FC (3X0). Se temos uma dupla brasileira do barulho no clube (Daniela Alves e Cris), encontramos a dupla sueca também. Josefine Öqvist e Jessica Landström seguem intratáveis e marcaram cada uma o seu gol. Cristiane, aos 46' do segundo tempo, completou o placar. A próxima partida do "azulão" será diante do AIK, no dia 27.

Brasil perde para a Austrália nos descontos

As australianas comemoram: não deu para Bárbara


Com um gol aos 47' do segundo tempo, a Austrália derrotou o Brasil na última partida (para ambos) na Peace Queen Cup. Kyah Simon fez o gol das "cangurus".



O saldo dessa viagem não se pode mensurar ainda. O que se sabe é que houve uma convocação equivocada, que deixou o Brasil muito fragilizado ofensivamente. Contra grandes equipes é necessário contundência e sem Marta e Cristiane seria necessário buscar alternativas mais sensatas.



O time de Barcellos se portou como a seleção do Mundial sub-20 de 2006 (sob comando dele). Para fazer um gol só pedindo autorização ao Papa. Uma dificuldade absurda. Rosana jamais deveria ser recuada, já que era a única alternativa experiente ofensiva. Que as lições sejam proveitosas para os próximos jogos e para Pequim.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Mais da Peace Queen Cup...


É interessante que o público leitor entenda o regulamento da Peace Queen Cup, conheça os grupos (divulgados no blog quando do sorteio), curiosidades e tenha uma pitada de opinião sobre os acontecimentos.


Neste ano, o torneio está dividido da seguinte forma:


Grupo A: Coréia do Sul, Nova Zelândia, Canadá e Argentina.

Grupo B: Brasil, Itália, EUA e Austrália.


Resultados (até o momento):


Grupo A: Coréia do Sul 2 X 1 Nova Zelândia

Canadá 5 X 0 Argentina


Coréia do Sul 1 X 3 Canadá

Argentina 0 X 1 Nova Zelândia


Canadá 2 X 0 Nova Zelândia

Argentina 0 X 2 Coréia do Sul


Grupo B: Brasil 2 X 1 Itália

EUA 2 X 1 Austrália


Brasil 0 X 1 EUA

Austrália 3 X 0 Itália


Brasil X Austrália (nessa madrugada)

EUA X Itália (nessa madrugada)


- O regulamento prevê que o primeiro de cada grupo decidirá o título. O Canadá, que fez três boas vitórias, já está na final. Do grupo B, o mais forte da competição, deve sair os EUA, que enfrentam a seleção mais fraca, a Itália, na última rodada.


- O Brasil fez uma ótima partida contra os EUA, transformando Hope Solo na melhor em campo. Apesar disso, a seleção nacional não tem mais chances de chegar à final e se despede diante da excelente equipe australiana. É um bom teste para as mais jovens.


- Quem parece estar garantindo um lugar em Pequim é a zagueira/atacante Érika. Titular do time na Coréia do Sul, mostra versatilidade e segurança. Na sub-20, ela é centroavante.


- Em virtude da lesão da lateral/ala esquerda Danieli, Rosana teve que voltar para a sua posição de origem e Maurine entrou na equipe.
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- O prêmio para o campeão é de 200 mil dólares.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Brasil perde para os Estados Unidos na Peace Cup

Hope Solo, novamente titular, não foi vazada
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Dessa vez, não deu. A Seleção Brasileira principal foi derrotada pelos EUA (0X1) na 2ª rodada da Peace Queen Cup. Amy Rodriguez fez o gol americano, aos 42' da primeira etapa. O favoritismo foi confirmado, já que a atual campeã olímpica está completa na Coréia do Sul.


Na última partida, o Brasil enfrenta a Austrália (madrugada de quarta para quinta), sem chances de chegar à final.

domingo, 15 de junho de 2008

Brasil vence a Itália na estréia da Peace Cup

Rosana, Érika e Aline: comemoração brasileira
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Com dois gols ainda no primeiro tempo, a Seleção Brasileira venceu a Itália (2X1) nesta madrugada coreana e lidera sua chave ao lado dos EUA. Erika e Maurine marcaram para o Brasil e Tatiana Zorri para as italianas. A Peace Queen Cup tem sua continuação nesta terça, quando haverá o clássico Brasil X EUA. O favoritismo é americano, pelos desfalques "canarinhos".


Outro resultado do grupo: EUA 2 X 1 Austrália

sábado, 14 de junho de 2008

Papo com Rosana...

Rosana decidiu no Pan: agora é a Peace Cup


O Brasil estréia contra a Itália nessa madrugada, na Queen Peace Cup, na Coréia do Sul. Rosana, nossa ala/meia e principal estrela do elenco, conversou rapidamente com o blog sobre o que pensa do torneio, já que não teremos Marta, Cristiane, Daniela Alves, Renata Costa, Formiga.....





FM: A Peace Cup vai ser uma competição forte. Como a seleção está lidando com a ausência de algumas jogadoras importantes?





Rosana: Na verdade, estamos nos concentrando no grupo que está aqui. A ausência de algumas dá lugar a novos talentos, mas o objetivo continua o mesmo.





FM: O que esperar da Itália, adversário que pouco o Brasil enfrentou nos últimos anos?





Rosana: É verdade que não temos muitas informações, mas temos a certeza de que se dermos o melhor vai prevalecer o talento brasileiro. Claro que entraremos sem nenhum tipo de menosprezo, já que o futebol feminino mundial vem se desenvolvendo rapidamente e o futebol é apaixonante justamente porque tudo pode acontecer.





FM: Você provavelmente jogará mais adiantada. Como está assimilando essa mudança?





Rosana: Acho que não terei tanta dificuldade, porque jogo nesse mesmo setor na Austria. Lembrando que são esquemas táticos diferentes, mas espero fazer um bom jogo e confesso não estar muito preocupada com essa mudança de posição. Acho possível render em outras posições. Só basta saber fazer a leitura do jogo.




A possível escalação, segundo as agências internacionais de notícias:
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(3-4-2-1) Barbara, Aline, Érika e Tania; Danielle, Franciele, Ester, Danieli; Maycon e Rosana; Fabiana.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Avaí segue bem no Estadual

Nem a revelação Dani (loira), de 15 anos, segurou o Avaí
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A equipe do Avaí/Canto do Rio lidera sua chave no Campeonato Catarinense adulto. São duas vitórias em dois jogos, já que no último domingo bateu o Guarani/Scorpions por 6 a 0, na Ressacada. Um dos grandes destaques da partida foi a lateral Thati, que tem passagens pela Seleção Brasileira Sub-17. Fez, inclusive, um belo gol. Dayse, cobiçada por clubes paulistas, também foi bem.


Nesse final de semana, o Avaí recebe o Müller, de Pomerode, às 15 horas.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Deu Linköpings FC no "clássico brasileiro"

Cristiane observa Öqvist: Linköpings bateu o Umea

Mesmo jogando fora de casa, o Linköpings FC, das brasileiras Daniela Alves e Cristiane, venceu o Umea IK, de Marta e Elaine (lesionada) por 3 a 2. Marta, aliás, abriu o placar por meio de uma penalidade máxima. Pelo Linköpings, Josefine Öqvist (duas vezes) e Jessica Landström marcaram. Madeleine Edlund (ela mesma!) fez o outro tento do Umea. O Linköpings é líder do Suecão 2008 com 19 pontos ganhos em 21 jogados. A presença das brasileiras, de fato, tem surtido efeito.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Alguns pitacos sobre o sorteio....

O Wellington Stadium: palco de Brasil X Inglaterra
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A verdade é que a indefinição de cinco participantes dificulta as análises, mas não as impedem. Num primeiro olhar, temos que avaliar o grupo brasileiro, que até certo ponto, tem uma força de nível médio.


Contando que a Nigéria seja a primeira africana, teríamos Brasil e Inglaterra como favoritos, Nigéria correndo por fora e Coréia do Sul como zebra. Claro, tudo isso são especulações baseadas em pesquisas nos parcos dados disponíveis sobre as seleções e na tradição de cada uma no futebol feminino. Em tese, a partida inaugural entre brasileiras e inglesas definiria o primeiro lugar da chave, que também, em tese, fugiria dos EUA nas quartas-de-final.


Um outro dado é que a Inglaterra ficou em quarto na seletiva européia, e não tem lá uma equipe poderosíssima. A categoria Sub-17, porém, nos reserva muitas oscilações de rendimento. Fica difícil ir somente pela "lógica". Se as melhores jogadoras brasileiras, como Beatriz, Rafaelle, Raquel, Fran e Thaís, mostrarem o que sabem, as chances de bela campanha aumentam. O talento individual será fundamental para o Brasil.


Com o tempo, vamos repercutir outros aspectos que envolvem o Mundial Sub-17 feminino, que terá, em 2008, sua primeira edição.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Saíram os grupos para o Mundial Sub-17

Bola e troféu do Mundial: faltam cinco meses
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Mesmo que os classificados da África (2 vagas) e da CONCACAF (3 vagas) não tenham saído, os grupos para o Mundial Sub-17 da Nova Zelândia foram sorteados. A estréia da Seleção Brasileira será contra a Inglaterra, no dia 29 de Outubro, ao meio-dia (horário local), em Wellington. Estréia, aliás, muito dura. Será um grande desafio para as meninas brasileiras, vice-campeãs sulamericanas. Vejamos as chaves:

Grupo A: Nova Zelândia, CONCACAF A, Dinamarca e Colômbia.

GrupoB: CONCACAF B, Alemanha, Coréia do Norte e África B.

Grupo C: Japão, CONCACAF 1 (provavelmente EUA), França e Paraguai.

Grupo D: Brasil, Inglaterra, Coréia do Sul e África A.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Sobre equipes brasileiras...

Nilda e Calan: duelo importante do Paulistão


Assisti a alguns jogos do Paulistão e amistosos, no SPORTV. Mais precisamente: Corinthians 1 X 3 Kansas (EUA), Saad 4 X 3 Kansas (EUA) e Santos 6 X 0Paulista. O que pude perceber nessas partidas (sobre os três grandes):



- O Corinthians, ainda sem os reforços de peso (Thaís, Stephane e Fabiana) e poupando três titulares importantes (Deva, Luana e Nildinha), mostrou um futebol muito fraco, onde suas jovens atletas não conseguiram se impor diante da organização americana. A captação de talentos, talvez, não tenha sido a adequada desde que o clube retomou os trabalhos no futebol feminino.


- O Saad apresentou muita coisa além das suas tradicionais veteranas, como Roseli. Uma equipe rápida e técnica, que envolveu o adversário, mas esbarrou em erros defensivos e preciptações ofensivas. Contudo, virou a partida no final. Ficar de olho na mais tradicional agremiação do país.


- O Santos é muito organizado e tem sua linha defensiva definida com três zagueiras. Sem cinco nomes que estão na Granja Comary, lançou garotas que precisavam ganhar ritmo. Bruna e Ketlen, duas jogadoras em condições de defender a Seleção Sub-17 (nascidas em 1992), melhoraram o ataque. Rilany, Pikena e Erikinha, mais rodadas, foram os destaques.


Amanhã, às 10h30min, tem São José X Corinthians, na Rede Vida.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Marta sofre no Umea...

Marta aguenta o frio e a Edlund: não é fácil



Já ouvi muito que Marta é 80% da seleção brasileira principal. Sempre discordei. Ela é 80%, mas do Umea. Não dá pra entender como uma das maiores equipes do mundo, com mais dinheiro, consegue deixar em seu elenco - e como titulares - jogadoras que não fardariam em alguns clubes brasileiros, que todos sabem, tem imensas dificuldades para se manterem em atividade.


Garotas do Brasil! Ingressem no futebol! Há muito espaço para vocês no futebol europeu!


Marta desfruta de ótima companhia na seleção brasileira. Jogadoras talentosas, de muita técnica, que ajudam consideravelmente a melhor do mundo a ser....a melhor do mundo. Ela é fundamental, mas temos a missão de valorizar Cristiane, Formiga, Rosana, Daniela e várias outras. A Seleção Brasileira é uma ilha de talento no futebol feminino mundial.


sábado, 24 de maio de 2008

Frankfurt é tricampeão da UEFA Women's Cup

Festa do Frankfurt: título merecido


Ainda que com Prinz apagada, o Frankfurt conquistou seu terceiro título na mais importante competição de clubes do mundo no futebol feminino. O apertado 3 a 2 (Frankfurt: Pohlers 7' e 55', Wimbersky 71'/ Umea: Dahlqvist 68'(pen), Östberg 83') nos faz refletir sobre alguns pontos:


- O Frankfurt é mais organizado e sólido defensivamente que o Umea.


- O clube sueco tem deficiências claras do ponto de vista individual. Aliás, é algo espantoso para a grande capacidade de investimento que possui.


- Andrée Jeglertz errou ao deixar Ramona Bachmann no banco. Após sua entrada no intervalo, o Umea melhorou ofensivamente.

- Edlund virou jogadora profissional. Ganha bem para jogar futebol. Isso mostra que ainda há muitos espaço para gente talentosa no futebol feminino.


No decorrer da semana, o blog irá repercutir um pouco mais o resultado.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Cristiane embala e marca mais dois

Cris começa a fazer a diferença na Suécia

A vítima do Linköpings FC, dessa vez, foi o Göteborg FC. E Cristiane desencantou de vez. Na vitória por 2 a 0 marcou os dois tentos de sua equipe, que segue com 100% de aproveitamento na Damallsvenskan 2008 (melhor "Suecão 2008", né?). Dia 4 de junho tem o clássico "brasileiro": Umea IK X Linköpings FC. Vai pegar fogo na Escandinávia!

quarta-feira, 21 de maio de 2008

O Umea taticamente...

O 4-2-3-1 de Jeglertz: Marta cria, Edlund perde


No jogo do último sábado, a primeira final entre Umea e Frankfurt pela Uefa Cup 07/08, ficou mais clara a disposição tática da equipe sueca e a função de Marta nesse esquema. Ela joga aberta, especialmente no lado esquerdo, como ponta. Ramona Bachmann, a jovem e talentosa suiça, faz o mesmo papel do lado direito. Em alguns momentos, invertem as posições.


Defini como um 4-2-3-1, onde a dinamarquesa Rasmussen faz o papel de meia ofensiva mais centralizada, entre Marta e Ramona. A japonesa Yamaguchi coordena a saída de bola com qualidade. Na defesa, uma linha sólida de quatro jogadoras. Andrée Jeglertz, o técnico do Umea, tem um grande problema. A equipe, com essa configuração tática e com os grandes talentos que possui, cria muito. Falta uma atacante centralizada mais decisiva. Edlund está longe de acompanhar o nível das colegas.

No próximo sábado, às 9h15min, o SPORTV transmite o segundo jogo da final da UEFA Women's Cup.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Saiu a convocação para a Peace Cup

Rosana em coletiva na Áustria: domina o alemão


Com Rosana como principal estrela internacional, saiu a convocação da seleção principal para a Queen Peace Cup, na Coréia do Sul. O torneio será no próximo mês e o Brasil está no grupo com EUA (15), Itália (17) e Austrália (19). Marta, Cristiane, Daniela Alves e Renata Costa não foram liberadas por seus clubes.



Thaís, goleira do Sporting Huelva e nossa primeira entrevistada do blog, retornou. Irá passar três meses atuando pelo Corinthians, no Paulistão. Quem também foi contratada pelo "Timão Mulher", mas por maior tempo, foi a atacante Fabiana, ex-companheira de Thaís em Huelva e que está na lista de Barcellos mais uma vez.














segunda-feira, 19 de maio de 2008

Cristiane marca pela primeira vez na Suécia

Cris e Dani comemoram: devem vir mais por aí

O blog brincou, num post de umas semanas atrás, que Cristiane ainda não havia marcado pelo Linköpings FC, embora houvesse muita badalação na sua contratação. Pois no terceiro jogo da sua nova equipe no "Suecão 2008", ela marcou o segundo gol na vitória por 2 a 1 sobre o KIF Örebro DFF. Esperamos que seja o primeiro de uma bela trajetória na melhor liga do mundo.
Daniela Alves, na partida seguinte, fez os dois gols do Linköpings FC no triunfo sobre o Hammarby IF DFF, também por 2 a 1. O investimento nas brasileiras começa a gerar retorno ao clube azul.

sábado, 17 de maio de 2008

Umea e Frankfurt empatam na primeira partida


Edlund parece estar na profissão errada

O primeiro jogo da final da UEFA Women's Cup foi marcado pelo domínio territorial e de posse de bola do Umea, o oportunismo de Marta e a ridícula apresentação da centroavante da equipe da casa: a camisa nove Edlund. O placar de 1 a 1 foi excelente para o Frankfurt, embora a volta seja disputada num estádio maior, onde Umea terá mais espaços para os contra-ataques, sobretudo com Marta. Portanto, nada está definido.
A partida teve transmissão do Sportv, que já confirmou a exibição (ao vivo) da próxima e derradeira para sábado, às 9h15min.
No decorrer da semana vamos dissecar o confronto, inclusive no aspecto tático, com quadros ilustrativos.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Decisão da UEFA Cup começa amanhã


Marta e Prinz: duelo tradicional do futebol feminino


O Umea, de Marta e o Frankfurt, da comum e superestimada Prinz, fazem a primeira partida da final da UEFA Cup 2007/2008, neste sábado, na Suécia, às 13 horas (horário local). Na edição 2003/2004 a final foi a mesma, e a recém chegada "Vieira da Silva" roubou a cena. O Umea patrolou o Frankfurt sob a batuta da atual melhor do mundo. De qualquer forma, o duelo desse ano é equilibrado e a decisão está totalmente em aberto. Ambos dominam a competição historicamente.

Campeões da UEFA Women's Cup:


2006/2007 - Arsenal/ING

2005/2006 - Frankfurt/ALE

2004/2005 - Turbine Potsdam/ALE

2003/2004 - Umea/SUE

2002/2003 - Umea/SUE

2001/2002 - Frankfurt/ALE

domingo, 11 de maio de 2008

Marta dá show em clássico de Umea

Ramona Bachmann é a estrela da seleção suíça

A partida era Umea IK vs Umea Sodra. O clássico da cidade. O placar? 6 X 0 para o time de Marta, válido pela 4ª rodada do "Suecão 2008".


Foram quatro gols da melhor do mundo. Os outros dois de Ramona Bachmann, a jogadora jovem mais badalada do mundo - e que tem correspondido em campo. A suíça tem apenas 17 anos.

O fato é que o show só começou e Marta entrou de vez na briga pela artilharia.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Notas...

Cristiane acena: só falta o gol


- Marta é a líder em assistências no Campeonato Sueco. São quatro nas três primeiras rodadas. Também já marcou um gol torneio.



- Cristiane fez duas partidas pelo seu novo clube, o Linköpings FC, mas ainda não marcou, embora sua equipe tenha 100% de aproveitamento no "Suecão 2008".



- Marcos Gaspar, técnico da Seleção Brasileira sub-17, está buscando jogadoras em todo o Brasil, através de seletivas. É um incansável e importante trabalho visando o Mundial da Nova Zelândia, no final do ano.



- A seleção principal dos EUA venceu, com dificuldade, os dois amistosos que fez diante da Austrália. Jogando em casa, o Women's National Team suou muito para fazer 3X2 e 5X4 na equipe da Oceania. As australianas já haviam dado um grande calor nas duas mais recentes derrotas para o Brasil, tanto em Atenas 2004 (0X1), quanto no Mundial da China (2X3).

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Avaí ingressa no futebol feminino

Avaí: ritmo forte de treinos em Floripa

O Avaí FC, de Florianópolis, tradicional equipe catarinense no futebol masculino e no ciclismo, iniciou os trabalhos também no futebol feminino.


Com vistas ao Campeonato Catarinense (adulto), onde estréia no dia próximo dia 25 de maio diante do Olympia de Jaraguá do Sul, as "Leoas da Ilha" já enfrentam forte período de treinamentos. É mais um importante clube que traz sua tradição e visibilidade para o futebol feminino. O projeto é em parceria com o Canto do Rio, agremiação amadora da capital.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Campeonato Paulista em andamento

Ketlen, do Santos e da Sub-17, já tem dois gols no Paulistão


Já está em andamento o Campeonato Paulista Feminino de futebol. A quarta rodada foi iniciada com o emocionante clássico entre Santos e Corinthians, no Estádio Ulrico Mursa, na Baixada Santista. As "Sereias da Vila" venceram por 2 a 1.


São 18 equipes, divididas em dois grupos de nove (por critério de regionalização). As equipes jogam entre si dentro dos grupos, em turno e returno. As quatros melhores de cada grupo se classificam para a fase seguinte, em duas chaves de quatro. As duas melhores cruzam com as duas do outro grupo em semifinais e depois final. A competição é longa e vai até 29 de novembro.


Grupo UM


Jaguariúna

América/Juventude

Botucatu

Ferroviária

Franca

Rio Branco

SAAD

Lorena

Palmeiras/CUNSP


Grupo DOIS


Kurdana/Cotia

Juventus

Corinthians

Santos

Nacional

Paulista

São Bernardo

Sorocabana

São José


Dica de blog: São poucos os que se aventuram a falar de futebol feminino no Brasil. Quando alguém toma a inciativa, nós, os poucos e abnegados, temos que divulgar. A amiga Lu Castro montou o "Elas no Lance". São artigos, informações e entrevistas, com trabalho de qualidade e talento. Lu, por exemplo, foi até o Clube Atlético Juventus e fez excelente entrevista com Magali Fernandes. Imperdível!


O "Futebol das Mulheres" e o "Elas no Lance" firmaram uma parceria para que o leitor que acompanha o mundo do futebool feminino tenha mais opções e conteúdo de melhor qualidade.



quinta-feira, 24 de abril de 2008

Entrevista com Elisa Brito - 3ª Parte

Elisa entre amigos: sempre fundamentais




Com o apoio e a confiança de muita gente querida, Elisa Brito espera ter sucesso na nova carreira. Vontade parece não faltar. Segue a última parte dessa proveitosa entrevista, que, espero, os leitores tenham gostado.


FM - Uma fora do script: defina Gustavo Kuerten.

Elisa -
Defino com poucas palavras: O cara! Como pessoa alguém sensacional e como tenista simplesmente e indiscutivelmente o melhor de todos os tempos. Ninguém nunca chegou nem perto do que eles fez em todos os sentidos pelo tênis, e se o tênis se tornou um esporte mais conhecido hoje, é graças a ele.

FM - Se você não pudesse ser atleta, que carreira iria seguir? Qual a importância dos estudos na sua vida?

Elisa -
Na minha visão, os estudos são muito importantes. Felizmente, eu sempre pude estudar nos melhores colégio, o que realmente é um privilegio para poucos. Sempre procurei levar os estudos a sério, e hoje mesmo com muito pouco tempo, pois eu viajo todo dia para treinar de Teresópolis até Duque de Caxias que fica a uma distancia com cerca de 100 km. Esforço-me ao Maximo para poder conciliar a vida de atleta com os estudos, até porque eu acho que o estudo e o bom aprendizado favorecem muito no esporte, assim como o esporte nos estudos. Não me vejo fazendo outra coisa sem ser atleta, tenho alma e isso tá dentro de mim. Mas se fosse pensar como se isso não acontecesse, faria Administração de Empresas, Engenharia Civil, ou Fisioterapia.


FM - A Michelle, sua companheira de CEPE, está na Sub-17. Como é sua relação com ela dentro e fora de campo?

Elisa -
A Michelle eu já conhecia antes da ida para o CEPE, devido à seleção. Quando cheguei ao clube, ela, sem dúvida, foi quem me recebeu melhor. Dentro de campo, temos um entrosamento muito grande. É realmente muito raro ver uma sintonia desse tipo. Fora de campo, nos damos muito bem, porem não temos um contato maior porque moramos longe uma outra. Mas de qualquer forma, nossa relação é muito boa, nos dois sentidos.

FM - Todos temos pessoas que nos abrem caminhos, nos ajudam. A carreira de atleta é muito dura, seja qual modalidade for. Como você vê isso na sua vida?

Elisa -
Existem algumas pessoas que são peça fundamental em tudo que me aconteceu, acontece e com certeza de alguma forma terão influencia em tudo de bom que acontecerá, pessoalmente e profissionalmente. Eles são indispensáveis e a base de tudo. Agradeço toda força que eles me dão, por acreditarem da forma que acreditam em mim, pela admiração que têm pelo meu futebol, pelo tamanho do carinho demonstrado, pela confiança que me passam, enfim, por tudo que eles representam na minha vida.

Gostaria de agradecer a minha família, principalmente a minha mãe que não mede esforços pra que eu atinja e conquiste meus objetivos, sem ela nada disso seria possível, e também: Fernanda Chiapeta, Luciana Chiapeta, Alexandre, Yago, Camila, Carol Couto, Julia, Karine, Gabriel, Karla, Victor K., Gabriel Di Martino, João, Aninha, Guilherme, Thais Ornellas, Carla, Nando, treinador Edson Galdino, Everaldo (preparador físico), os professores Waguinho e Zé. Não tenho palavras pra agradecê-los. Queria deixar claro que sempre serei grata a todos, e nunca vou esquecer o que vocês têm feito. Deixo aqui meu muito obrigada, por tudo, a todos vocês, de coração.

Entrevista com Elisa Brito - 2ª Parte

Eduarda, Elisa e Fernanda: Sub-17 é objetivo



Aos 16 anos recém completados, Elisa Brito ingressou em um clube de relevância nacional e busca voltar à Seleção Sub-17. No 2º trecho da entrevista, ela nos detalha esse processo.


FM - Recentemente, você ingressou numa das mais tradicionais equipes do futebol feminino brasileiro, que é o CEPE Caxias. Como está sendo sua adaptação?

Elisa -
O CEPE Caxias faz um trabalho muito sério e soube disso. Resolvi conhecer o clube, isso aconteceu na metade no mês de janeiro. No primeiro dia, fiz uma espécie de teste com bola. Para minha surpresa e felicidade, o professor Edson Galdino gostou muito do meu futebol e no dia seguinte, independente da minha pouca idade, me incluiu na equipe principal, cuja a media de idade é acima dos 23 anos ( mais ou menos). Fui bem recebida. Não sou absoluta na posição, mas estou sendo trabalhada para atingir o meu melhor nível técnico e físico. Estou disputando a posição com mulheres que tem no mínimo 10 /15 anos a mais de futebol do que eu.

Estou muito satisfeita com o que eu já conquistei ali, apesar do pouco tempo. Elas merecem também a condição que possuem, pela experiência que já têm e o tempo que elas estão no clube. Confio inteiramente no professor Edson. Tenho certeza que tudo que ele esta fazendo é pro meu bem e será bom pra mim. Acho que tudo tem sua hora para acontecer, e minha hora vai chegar no momento certo. Estou na equipe principal de um dos melhores e mais importantes times do país, com a idade que tenho. Com certeza, eu estou muito satisfeita e muito feliz no CEPE, mas ainda tenho muito que conquistar.



FM - Você acompanhava o futebol feminino na sua época de tênis? Como viu a campanha de Marta e cia no Mundial?

Elisa -
Sempre acompanhei dentro do possível o futebol feminino. Não como hoje, mas acompanhava. Em minha opinião, indiscutivelmente, nenhum país possui a qualidade técnica das nossas jogadoras, apenas acho que se perde em relação a porte físico. Marta é realmente a melhor do mundo, mas acho que todo o grupo tem que ser parabenizado e todas tem seus méritos, pois para ela ser o que é, depende de todo o grupo.

FM - Quais as diferenças que você sentiu entre um esporte individual como o tênis e o futebol, do ponto de vista mental?

Elisa -
No meu ponto de vista, o tênis exige mais mentalmente, até pelo fato de não pode obter instruções. Como diria meu ex técnico : "é só você, a raquete e a bolinha" . No tênis, você só depende de você. Toma as decisões certas ou erradas, pois depende de você a capacidade de mudar um estratégia que possa estar dando errado em um jogo ou mantê-la se estiver dando certo. Só você sofre as conseqüências. No futebol, se por acaso um dia você não estiver bem, o companheiro pode compensar. No tênis, acaba sendo uma cobrança maior porque sempre achamos que toda bola tem que ser a melhor bola do jogo, e quando não acontece, muitos não conseguem assimilar o erro e acabam se prejudicando no jogo, já que não podem ter a ajuda de ninguém naquele momento. O psicológico pesa muito em um jogo de tênis, assim como no futebol, porém o futebol é um jogo de equipe onde um ajuda o outro, se um ganha todos ganham, se um perde todos perdem.


FM - O Mundial Sub-17 acontecerá em outubro/novembro. É um objetivo seu?

Elisa -
Sem dúvida alguma. Esse é meu principal objetivo atualmente, no qual eu estou completamente focada e trabalhando para acontecer a vários e vários meses. Todo meu esforço esta sendo feito com esse único objetivo, minha vida tem girado em torno de ir pra escola e treinar apenas. Não farei nada além disso até o mundial, para que de forma alguma o foco seja desviado. O fato de não sair ou algo do tipo, não me incomoda de maneira nenhuma. Faço isso sem problemas, porque quando você quer muito alguma coisa, tem que abrir mão de outras, é ai que você vê quem realmente ama o futebol e leva a sério, e quem faz por fazer. Com certeza, eu abro mão e abrirei mão de muita coisa, mas farei sem problema algum. A coisa mais importante é o futebol e esse mundial.

FM - Nós sabemos que o mercado do futebol se encontra na Europa. No feminino, não é diferente. Você tem o desejo de jogar nas badaladas ligas do Velho Continente?

Elisa – Realmente, eu acho que falta muito investimento no futebol feminino no Brasil. Sem dúvida, tenho desejo de jogar na Europa; é um dos meus objetivos. Mas, atualmente, o foco é a seleção. Futuramente, pretendo sair do país, até porque aqui a falta de apoio é muito grande e não existe um calendário de competições regular, o que dificulta muito a expansão do futebol feminino e o trabalho da própria atleta.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Entrevista com Elisa Brito - 1ª Parte

Elisa com raquete e depois chuteiras: algo raro



Algumas biografias esportivas são cheias de drama e sofrimento. Outras, com incríveis histórias de superação. Elisa Brito, meia do CEPE Caxias, foi além: saiu do tênis, onde era destaque nacional, para o futebol e a Seleção Sub-17. Como isso ocorreu? Poderão conferir numa bela entrevista da "garota prodígio", dividida em três partes. A 1ª parte foca, justamente, essa transição. Confiram!


FM - O que veio primeiro: o futebol ou o tênis?

Elisa - Bom, o futebol sempre esteve presente na minha vida de alguma forma. Eu sempre brincava, até pelo fato de ter um irmão mais velho que sempre jogou, isto é, aquilo me atraia de alguma forma. Tudo que é relacionado a esporte sempre me fez ter interesse. Desde pequena comecei a surfar, fazia aula de tudo: vôlei, tênis, enfim... Fiz escolinhas de futsal quando pequena e quando mais velha joguei por Teresópolis. Mas há cerca de dois anos comecei a me dedicar ao tênis, treinava muito, viajava sempre. Fui número 1 do Estado durante os dois anos e bem ranqueada no país. Fui convidada pra treinar numa academia excelente em Niterói, para onde eu iria esse ano. Tudo estava caminhando muito bem para mim e até outubro de 2007. Tudo estava confirmado para que eu me mudasse para lá em 2008.

Porém, no final de setembro, se não me engano, quase início de outubro, em um torneio profissional que eu estava jogando aqui no Rio mesmo, minha mãe, conversando com uma moça, comentou que eu jogava futsal e tudo mais. Então ela falou que iria tentar um teste para mim em algum time. Nem me empolguei muito porque não pretendia parar com o tênis. Pretendia seguir carreira e tudo estava dando certo. Naquele momento queria aquilo para a minha vida, como profissão. Dias depois, ela ligou para minha casa, e comunicou que dois dias depois (não tenho certeza) teria um teste para Seleção Brasileira Sub-17. Eu pensei muito se iria ou não, até porque fazia mais de cinco meses que eu não jogava nem futsal. Realmente, só via bolinha de tênis na minha frente. O máximo que eu andava fazendo de parecido com futebol naquele momento era embaixadinha com bolinha de tênis nos intervalos de treinos.

Depois de pensar, resolvi participar, achando que não custaria nada, mas nunca imaginei que passaria. Nunca havia colocado uma chuteira de trava na vida, nem entrado num campo de futebol para jogar. Resumindo: nunca tinha jogado futebol de campo na vida, era algo completamente novo pra mim. Cheguei ao local, fiz o teste e passei. Realmente, quando vi meu nome, não acreditei, era algo que nunca imaginei que iria acontecer, mas aconteceu. O que eu senti naquele momento não consigo descrever. Fui convocada e vi o que queria para minha vida: o futebol. Vendo isso, larguei o tênis e toda a caminhada que por mim estava sendo prevista, e optei pelo futebol. Hoje vejo que foi a melhor coisa que eu fiz na vida.

FM - Você teve mais contato com o futsal. O que ele te ajuda para o momento em que vive, que é o foco no campo?

Elisa - Na minha visão, o futsal dá muita base e desenvolve muito tecnicamente o jogador. Além do fato de ser um jogo bem mais dinâmico que o campo, o que, em minha opinião, desenvolve muito o raciocínio.
Na minha situação, ajudou muito, e por causa de toda base que tive não encontrei dificuldades técnicas de adaptação no campo. Lógico que tenho muito a melhorar, mas essa base já contribuiu muito. Não tenho duvida que foi pela base conseguida no futsal, que cheguei a seleção.

FM - Você vem de uma família de classe média. O futebol tem, majoritariamente, atletas com uma origem social menos abastada. Como você assimilou - para quem veio do aristocrático tênis – essa mudança de ambiente?

Elisa - Quando entrei para o futebol, eu senti certa diferença, até mesmo no jeito de agir, conversar, pois no tênis, por ser um esporte considerado de elite, as pessoas são mais contidas, devido às regras do próprio esporte, que não admitem certas atitudes, que são permitidas no futebol. A diferença social realmente é gritante, e não tem como negar, mas para mim isso não diferencia as pessoas e eu consegui me adaptar bem. Todos merecem respeito de alguma forma, serem julgados pelo que são e não pelo que elas têm. Reconheço que existe essa diferença de classe social entre mim e a maior parte das meninas do meio. Mas não me incomoda, pois convivo muito bem com a maioria. Não nego que sinto algumas formas de preconceito por parte delas em relação a minha pessoa. Já ouvi comentários que me incomodaram, como por exemplo: "o que essa menina está fazendo aqui! Tem dinheiro, condição e está tirando oportunidade de quem necessita". Só que eu queria deixar bem claro uma coisa: eu não jogo futebol por dinheiro e sim por amor.

FM - A sua chegada a seleção sub-17 foi o verdadeiro marco de sua transição tênis/futebol? Foi o que acendeu a chama?

Elisa -
Sem dúvida. A convocação foi realmente algo que nunca imaginei acontecer, principalmente naquele momento que eu estava vivendo, de tanta dedicação ao tênis. Confesso que ao ver meu nome na lista eu chorei, e vi que a minha vida era o futebol. Mesmo sabendo de todas as dificuldades que ainda irão surgir, eu sei que esse é meu caminho.

FM - Quais suas características de jogo? Descreva suas qualidades e o que precisa melhorar como atleta de futebol.

Elisa -
Eu tenho um jogo num estilo clássico, que une bom porte físico (o que, em minha opinião, é uma vantagem e importante característica para um meia) raciocínio rápido, boa técnica, visão de jogo e boa finalização. Tenho como um exemplo e inspiração, o ex jogador Zinedine Zidane. Em minha opinião, o futebol é a arte de fazer o simples. Sem dúvida, quando eu preciso utilizar da habilidade eu o faço, mas sempre com objetividade, nunca por "firula". Em relação a melhora, acho que todo mundo sempre precisa melhorar em todos os aspectos, nunca ninguém está completamente pronto ou perfeito. Mas se for destacar um aspecto, destacaria o físico, que eu encontrei dificuldade no começo da transição para o futebol, até porque tênis e futebol são coisas completamente diferentes. Eu estou me dedicando muito nesse aspecto, já evolui bastante. Posso dizer que hoje sou outra pessoa em campo e continuarei trabalhando forte, nesse ponto e em todos os outros.