quinta-feira, 18 de março de 2010

Ele merece!

Marcos Gaspar e Ketlen: ele merecia essa medalha

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O Brasil conquistou seu quarto título sulamericano sub-20. Poderíamos falar muitas coisas, como elogiar as atletas (Alanna, Ester, Leah e vários destaques individuais). Com certeza, teremos condições de fazer uma avaliação individual e de alternativas táticas com o tempo.

Nesse momento, porém, não cabe outro tema que não seja o técnico Marcos Gaspar. Esse blog já foi duro com ele. Talvez tenha até sido rigoroso demais com quem tanto bem faz ao futebol feminino brasileiro. Por ocasião da eliminação no Mundial Sub-17, o blog não o poupou (post mais abaixo), embora tenha reconhecido todos os méritos e as dificuldades do caminho enfrentado em 2007-2008.

Agora faço, com maior prazer e felicidade, uma avaliação do processo iniciado em março de 2009 com a seleção brasileira sub-19 (agora sub-20). Esse título foi mais que merecido. Aliás, nenhum profissional do futebol feminino merecia mais. Vejamos alguns pontos:

- Marcos assumiu a seleção sub-20 no susto, pela mudança na principal, com a entrada de Kleiton Lima. Estava com a sub-17 na cabeça e teve que mudar a estação para se adaptar ao novo desafio.

- O desafio era grande, já que havia apenas 3 ou 4 jogadoras nascidas em 90 com certa experiência - como as já citadas acima. Teve que montar um grupo praticamente do zero, sob muita desconfiança.

- Por falar em desconfiança, a partir das primeiras convocações já viriam os burburinhos de que "essa sub-20 não iria a lugar nenhum". Foi mais um obstáculo.

- A partir da convocação de novembro de 2009, Marcos passou a investir ainda mais no talento e conseguiu resgatar algumas jogadoras que estavam escondidas.

- No torneio de Alegrete viria o auge da desconfiança, pelos resultados, diria, modestos (empate com Uruguai e derrota para o Paraguai). Porém, Marcos manteve boa parte daquele grupo e apostou na sua capacidade de treinar uma equipe com um pouco mais de tempo.

- Com mais de um mês de de preparação, pode colocar as meninas em forma, achar um esquema tático e botar esse time pra rodar. Chegou ao Sulamericano da Colômbia tinindo e atropelou todo mundo, em todos os aspectos do futebol (6 vitórias em 6 jogos, 25 gols marcados e 3 sofridos).

Isso que foi exposto acima é o que todo mundo (ou boa parte) viu. Poucos conhecem, entretanto, o trabalho de formiguinha feito nos bastidores, a capacidade de garimpar e achar atletas em todo o Brasil, a postura democrática e aberta ao diálogo. E, sobretudo, a discrição. Não há marketing. Há trabalho e seriedade.

Da atual sub-17 e sub-20, quantas jogadoras tem o dedo de Marcos Gaspar? Diria que 90% das atletas passaram pelo seu crivo. Sua importância para renovação do futebol feminino brasileiro, portanto, é grandiosa. Essa obstinação e tenacidade que tem o capricorniano Gaspar frente aos desafios sempre será digna de elogios (mesmo que ele seja avesso a eles).

Nesse momento, ele é O CARA do futebol feminino brasileiro, com justiça. Que venha a Alemanha!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Sub-17 se apresenta segunda-feira

A goleira Daniele, de 1,78m, foi ao Mundial 2008
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A seleção brasileira sub-17 foi convocada na semana passada para o 3º período de treinamentos visando o Sulamericano de 2010, ainda com local indefinido. Serão duas vagas que a competição continental oferecerá. O Mundial, ao contrário, já tem data (setembro) e será em Trinidad e Tobago.


Na convocação de Edvaldo Erlacher, alguns rostos novos foram chamados sob a esperança de qualificar ainda mais o bom grupo, entre eles Renata, Paulinha e Roberta. As experientes de sempre, como Daniele, Beatriz e Thaís, permanecem os pilares da equipe. Segunda-feira, dia 21, se apresentam no Rio para duas semanas de trabalhos intensivos.
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Duas observações:

-A lista foi modificada em virtude de alguns cortes e será confirmada a partir de que se tenham os nomes de quem entrou e saiu.


-Essa geração tem chance de fazer história e trazer o primeiro campeonato mundial FIFA para o Brasil.


segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Seleção Sub-20: Tática

O possível time de Marcos Gaspar na Colômbia

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Essa é uma sugestão para a seleção brasileira sub-20, de acordo com as atletas disponíveis. Um 4-3-1-2 de Zagallo. Elisa fazendo a número 1 e um ataque veloz com Ketlen e Alanna. Segue uma descrição jogadora por jogadora:


Aline Bossa: A goleira de Mato-Grosso foi titular no Mundial Sub-17 do ano passado. Embora tenha 1,68m, é segura e joga bem com os pés. Das opções disponíveis, seria a mais confiável para o momento.


Leah: A loira americana tem grande prestígio com Kleiton Lima, mas é nascida em 90 e tem idade para a sub-20. Sua liberação ainda é um mistério, porém agregaria experiência ao time de Marcos Gaspar.


Estergiane: A provável capitã do time é uma zagueira segura e esteve no Mundial Sub-20 de 2008. Trocou o Juventude-RS (que acabou) pelo América de Rio Preto. Merece a confiança da comissão técnica.


Aline Camargo: Zagueira canhota, tem boa técnica, embora pouco veloz. Atua na ótima equipe de Botucatu e deve formar a zaga com Estergiane.


Rafaelle: Uma grande descoberta de Marcos Gaspar no futebol baiano. A esguia lateral é uma excelente opção ofensiva e fez um golaço de falta no Mundial Sub-17, diante da Nigéria.


Bruna: A volante tem garra e força, para compensar alguma dificuldade na saída de bola. Ainda assim, tem uma grande importância tática para o time. Era da sub-17 de 2008 e trocou o Atletico-MG pela Ferroviária esse ano.



Fabiana: A volante do Cepe Caxias tem mais qualidade na saída de bola e não disputou o Mundial Sub-17 por lesão. Faz a lateral-direita na emergência e será importante pelo lado direito, no apoio e na defesa.


Camila: Uma volante que também sabe fazer a meia. Portanto, tem função estratégica nesse esquema. Esteve no Mundial Sub-20 do ano passado, mas foi reserva.


Elisa: A meia do CEPE Caxias, figura carimbada do blog, entraria como uma luva, por sua criatividade e poder nas bolas paradas. Num sulamericano de goleiras fracas, vira um grande arma.


Ketlen: A versátil jogadora catarinense vem crescendo no Santos FC e tem nível para atuar no ataque da seleção sub-20.


Alanna: A veloz atacante da Ferroviária é um grande trunfo de Marcos Gaspar para o Sulamericano da Colômbia. Com Elisa, poderá ser mais bem acionada.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

O fator Elisa

Elisa veste bem o uniforme da seleção
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A seleção brasileira sub-20 iniciou seus trabalhos em abril desse ano. O saldo dos treinos foi razoável se analisarmos as opções. Muitas zagueiras talentosas, porém carência de qualidade ofensiva. A geração 90-91 não parece ser a mais promissora do país, só que há condições de melhorar esse grupo.


O principal reforço é carioca e atende pelo nome de Elisa Brito. A polêmica Elisa Brito, do CEPE Caxias. Não por ser uma "bad girl" e sim por ter características especiais. Uma meia canhota, criativa, que bota a bola onde quer, mas é considerada "lenta". Não por mim, claro.


Elisa é tudo que a seleção sub-20 precisa para sair do obscurantismo técnico em que se encontra. Marcos Gaspar - que considero grande técnico - precisa arriscar e apostar nela. Beatriz e Thaís estão na sub-17 e ficou Elisa como única capaz de armar o jogo brasileiro em bom nível.


"Ah, mas ela precisa melhorar fisicamente". Para que servem os preparadores físicos, faltando quase um ano para a principal competição oficial da seleção? Alô, comissão! Aposte em Elisa e trabalhe duro para ela evoluir ainda mais. É ela quem pode fazer a diferença e facilitar as coisas para a sub-20. Do contrário, muito sofrimento nos espera.




sexta-feira, 10 de abril de 2009

Ano novo, trabalhos novos

Thais, agora no Santos, será referência na seleção sub-17
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Em 2008, o blog repercutiu muito as seleções brasileiras (principal e de base). Tanto a sub-17, quanto a sub-20 fizeram mundiais abaixo do potencial. Marta e cia trouxeram a prata olímpica. Por motivos diferentes, enfrentaram dificuldades bem rotineiras por aqui. Agora, muita coisa mudou. As comissões técnicas não são mais as mesmas, embora, de uma forma inteligente, a CBF deu sequência ao trabalhos.




Vejamos a "dança das cadeiras"




Jorge Barcellos saiu da principal para a liga americana (já a todo vapor). Kleiton Lima, que era da sub-20, assumiu a principal. Marcos Gaspar, que era da sub-17, assumiu a sub-20. E para o lugar de Gaspar? O requisitado vem de Santa Catarina, mais precisamente de Caçador. O técnico Edvaldo Erlacher, do Kindermann, foi o nome escolhido por Américo Faria.




As perspectivas




As comissões técnicas formadas, em princípio, tem muita qualidade e experiência no futebol feminino. As seleções de base terão, desta vez, um auxiliar técnico cada, o que não acontecia, até então.




Principal - Kleiton tem 12 anos de Santos FC e um trabalho digno na sub-20 brasileira. Sua primeira convocação aproveitou a base deixada por Barcellos, somando algumas jovens de sua confiança. Não pôde chamar todas as "estrangeiras" que gostaria, como Simone e Rosana. São experientes e estão no auge. Para as próximas ocasiões, não podem ser esquecidas. Os dois amistosos (Alemanha e Suécia) nos darão uma noção do que esperar nesse novo ciclo.




Sub-20 - Eis o grande desafio. A maioria absoluta das jogadoras que estiveram no Mundial Sub-20 de 2008 "estouram" a idade para 2010. Sobram, mais precisamente, três. Camila, volante do CEPE Caxias, Estergiane, zagueira do Juventude e Leah, a lateral acrobata. Se Gaspar convocar as três, terá que completar o grupo com jogadoras nascidas em 90, 91, 92.




Um outro fator complicador para ele - e maravilhoso para Edvaldo - é que as duas jogadoras mais talentosas de sua seleção (na opinião deste blogueiro) ainda são sub-17 e nascidas em 93. Thais, hoje no Santos, e Beatriz, da Ferroviára, devem continuar na mesma categoria. Portanto, Marcos Gaspar terá que trabalhar duramente para montar um grupo forte, capaz de conquistar o título sulamericano e brigar pelo caneco mundial.




Sub-17 - A geração 93 e 94 é fabulosa. De cara, tem três meninas que foram ao Mundial da Nova Zelândia - Daniele, goleira do Guarani-Scorpions (com Thais e Beatriz, já citadas). No mais, Gaspar deixa uma boa perspectiva, com vários nomes avaliados pelo Brasil e outros que vem aparecendo ainda. Cabe a Edvaldo e sua comissão técnica lapidarem esse grupo, na grande esperança de que possam fazer história em 2010.


sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Balanço

Gaspar fez grande trabalho, mas o talento é fundamental
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A seleção brasileira se despediu de forma digna do Mundial Sub-17. Fez uma boa partida diante das nigerianas, mais pela vontade e desejo de evoluir no torneio. O Brasil sofreu na competição por alguns motivos, mas destacaria dois como fundamentais: falta de talento e dificuldade para se organizar durante as partidas. Um, na verdade, está relacionado ao outro.


Com as perdas de Fabi e Bia, duas jogadoras referenciais, foi lançado mão de Juliana Cardozo, do Saad, e Juliana Ferreira, do Team Chicago. Nada, absolutamente, contra as garotas. Porém, a diferença para as titulares é gigantesca. Como atuam no coração da equipe, que é o meio campo, comprometeram sobremaneira o desempenho do time e expuseram a defesa, uma vez que a difuculdade na saída de bola foi a tônica.


Ou seja, suas atuações individuais prejudicaram a organização da equipe, acostumada com mais talento do meio para a frente, com gente que segurava a bola e criava dificuldade aos adversários, permitindo, inclusive, o adiantamente das linhas de defesa. Sem os talentos de Bia e Fabi, tudo ficou mais difícil e as escolhas de reposição não foram boas.


Marcos Gaspar fez grande trabalho e os frutos dele estarão nos próximos anos na seleção principal. Entretanto, talento e técnica sempre serão a prioridade no futebol. O resto a ciência dá conta.

domingo, 2 de novembro de 2008

Voltando...

Patinha contra a Coréia - volta importante para o Brasil


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Depois de mais de dois meses sem postar, em virtude de uma série de situações e mudanças na vida, creio que o momento é importante demais para não expressar minha opinião. Está rolando o Mundial Sub-17, super divulgado nesse blog, com uma série de posts, desde antes do Sul-Americano de Janeiro. Esclareço aos leitores que também comecei a realizar a atividade de olheiro e tive o prazer de indicar duas atletas catarinenses para essa seleção. A goleira Daniele (camisa 21), do Guarani, de Palhoça, e a zagueira Carine (camisa 13), do Kindermann, de Caçador.


O Mundial começou e tivemos duas derrotas. Creio que o trabalho de Marcos Gaspar é muito bom, sobretudo porque pegou uma seleção do zero e foi montando o grupo - numa verdadeira (e dura) peregrinação pelo Brasil, com pouco tempo de treinamento. Tive o prazer de poder ajudá-lo, um pouquinho que seja. Esse trabalho deixará uma série de boas jogadoras para os próximos anos. Beatriz, Rafaelle e Thaís só não vingarão se acontecer algo muito inesperado. Aline cresceu demais como goleira. Ao vingarem, méritos totais para Gaspar, que tem "só" a Marta no currículo de revelações. Ou seja, gabarito de sobra para ocupar o posto de selecionador sub-17.


A minha única crítica é conceitual e ele sabe disso. Talento é fundamental e sempre será. Futebol não é força e velocidade. Tudo que o treinamento desportivo tem de responsabilidade na evolução do futebol, pode ser aprimorado e trabalhado. Porém, há fundamentos que a jogadora já precisa dominar para ser convocada para uma seleção. Não acredito que algumas atletas não tenham rendido apenas pelo nervosismo ou ansiedade. Há uma perigosa inversão de valores, principalmente ao negligenciarmos a técnica, para valorizar qualidades físicas. Mesmo as seleções menos talentosas desse Mundial são organizadas e acertam a maioria dos passes.


Perdemos a Bia, pilar técnico do time. Tivemos uma certa falta de sorte. A preparação não foi a ideal, em virtude do pouco tempo e da falta de jogos internacionais duros. Marcos tem muito crédito. Porém, não vou me furtar de colocar o que penso publicamente. Tecnicamente e taticamente fomos muito abaixo dos adversários até agora. Esperamos que contra Nigéria haja uma evolução. Capacidade temos, dentro e fora de campo.